TEATRO

Sesc Pinheiros apresenta “Fim de Partida”, de Samuel Beckett

Local:

Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran

Uma das Peças Mais Emblemáticas do Grande Dramaturgo do Teatro do Absurdo, Samuel Beckett


O irlandês Samuel Beckett é um dos grandes dramaturgos do movimento Teatro do Absurdo e escreveu este texto nos anos 1950, sob o impacto da II Guerra Mundial.

A peça transcorre num cenário pós-apocalíptico e apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas depois, a obra ainda dialoga com o estado atual do mundo, o que motivou esta nova montagem. Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional. É um vínculo atravessado pela violência e crueldade cotidianas, numa tragicomédia ácida e melancólica.

Presas num espaço claustrofóbico, as personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido. Ela é marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve. “Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite“, ressalta Nanini. Elejá pensava em encenar algum texto do autor irlandês, quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber. Este foi o responsável pela sugestão de atuarem juntos em “Fim de Partida“.

Juntos, eles já estiverem nas montagens célebres de “Os Solitários” e “A Morte do Caixeiro Viajante“. Logo, reuniram Helena Ignez, nome icônico do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado “O Burguês Ridículo“.

Texto dividido em três fluxos

O diretor do espetáculo é Rodrigo Portela, que chega num momento profissional marcado pela consagração em espetáculos recentes, como “Tom na Fazenda“, “Ficções“, “Um Ensaio Sobre a Cegueira” e “Ray“. Ele divide o texto do irlandês em três fluxos: “O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas, numa segunda camada, a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da querra e do militarismo. A autoridade dele se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado sempre em pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem sem sentido. A cena torna-se, por conseguinte, um campo de poder em ruínas“, analisa o diretor.

Ele chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro. Ela é evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas. A cenógrafa coloca uma espécie de palco dentro do palco, consistente de uma caixa cênica retangular. Assim, estabelece a característica de metalinguagem proposta pelo texto. “Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo. Enquanto isto, Hamm assume a figura do ator principal, do narrador canastrão e se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio. Há um teatro dentro do teatro e um palco dentro do palco“, acrescenta Rodrigo Portela.

Ficha Técnica

Texto: Samuel Beckett
Direção: Rodrigo Portella
Tradução: Fábio de Souza Andrade
Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas
Iluminação: Beto Bruel
Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi
Figurino: Antonio Guedes
Assistência de Direção: Zé Mancini
Visagismo: Leila Turgante
Comunicação: Pedro Neves
Gerência de Projetos: Carolina Tavares
Produção Executiva Montagem: Ártemis
Produtor: Fernando Libonati
Produção: Pequena Central de Produções
Realização: Sesc SP

Informações Fim de Partida

Local: Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros, r. Paes Leme, 195, Pinheiros
Temporada: até 31 de maio, de quarta a sábado às 20h; domingos e feriados, às 18h
Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos
Ingressos: Compre Aqui


Cristovam Freitas

Meu nome é Cristovam Freitas. Brasileiro, sexagenário, aficcionado por literatura, cinema e principalmente teatro. Tutor de caninos e felinos. Morando em Brasília, mas com o coração enterrado no Rio de Janeiro.

Mídias Relacionadas

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mais Teatro

Cia da Tribo: Água Doce traz reflexão sobre rios submersos

TIP (Antes Que Me Queimem, Eu Mesma Me Atiro No Fogo)

A Esperança na Caixa de Chicletes Ping Pong estreia no Teatro Vivo

“Desassossego” leva a poesia de Fernando Pessoa para o palco do CCBB São Paulo

“Memórias do Subsolo” estreia na retomada do Teatro na Mário

“Prazer, Zezé!” faz temporada no Sesc 14 Bis e revisita a trajetória de Zezé Motta

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Site SP Art você encontra informações sobre Teatro, Exposições, Eventos, Cinema, Livros e muito mais.