A exposição traz uma seleção inédita de obras da artista que reafirma a pintura como território autônomo e a curadoria é de Tadeu Chiarelli.
A exposição reúne um conjunto inédito de obras que atravessa diferentes momentos da trajetória de Deborah Paiva. Ela é uma artista sul-mato-grossense cuja produção se consolidou a partir de uma investigação rigorosa da pintura como linguagem de reflexão. A artista é radicada em São Paulo e construiu uma obra com forte senso de liberdade. Manteve-se fiel à experimentação e à margem de tendências e modismos do circuito artístico.
Seus primeiros trabalhos surgem tridimensionais, a maioria deles em grandes dimensões e com caráter quase instalativo. Ao longo do tempo, sua pesquisa vai, gradualmente, voltando-se para a linguagem pictórica. Nesse processo, passa por investigações fortemente matéricas – com procedimentos próximos à arte povera, utilizando elementos como areia, palha, encáustica e diferentes densidades de tinta. Posteriormente, concentra-se na depuração da pintura, com formatos mais reduzidos e obras menos matéricas, mais silenciosas e introspectivas.
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Uma artista que não se limita a um estilo fixo
Ao longo de sua trajetória, a artista não se limita a um estilo fixo, nem com um programa estético fechado. Além disso, não opta pela combatividade, tendência daquele momento. A pintura dela pode ser narrativa ou formal, planar ou matérica, figurativa ou não figurativa. Desta forma, se ssume sempre como um campo aberto de possibilidades. Outro ponto que chama a atenção em sua obra é que ela rejeitava a noção linear da evolução de sua poética. Ela evitava a datação rigorosa de suas obras e entendia o tempo da pintura como o tempo do próprio fazer: o ritmo do gesto e a duração do trabalho.
Como pontua Chiarelli, a obra de Paiva, se relaciona estruturalmente com artistas como Iberê Camargo, Jasper Johns, Henri Matisse e Marie Laurencin. Esse diálogo não se dá por meio da citação ou da apropriação pós-moderna, mas por afinidades profundas relacionadas às questões da linguagem pictórica. Este aspecto se apresenta especialmente no que diz respeito à diluição das fronteiras entre abstração e figuração e à fisicalidade da pintura.
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Sobre Deborah Paiva (Campo Grande, 1950-2022)
A artista, ao longo de sua trajetória, foi reconhecida por críticos renomados como Tadeu Chiarelli, Lorenzo Mammì, Angélica de Moraes e Alberto Tassinari. Construiu um percurso de rigor estético e sensibilidade, mantendo-se fiel à pintura como campo de reflexão e experiência. Sua obra já esteve em instituições como o MAM São Paulo, MAC USP, Museu Lasar Segall, Instituto Figueiredo Ferraz, MAC Campinas, Centro Cultural São Paulo, Paço das Artes, Palácio das Artes, Centro Universitário Maria Antônia. Além disso, teve exposições individuais em galerias de referência. A obra de Paiva está representada nos acervos do MAM SP e MAC USP.
Deborah Paiva também foi colaboradora da Ilustríssima, suplemento da Folha de S.Paulo, publicando suas pinturas durante o período aproximado de 10 anos, com presença marcante entre 2012 e 2022. Paralelamente à sua produção artística, a artista construiu uma trajetória sólida como educadora. Atuou na formação de professores sob a orientação de Stela Barbieri. Por mais de uma década, conduziu o Ateliê Livre de Pintura Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake. Nesse afazer, formou gerações de artistas e mediadores culturais. Em 2010, integrou o setor educativo da 29ª Bienal de São Paulo, ampliando o diálogo entre arte contemporânea e educação pública.
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Informações Deborah Paiva – Uma Antologia
Local: Janaína Torres Galeria, r. Vitorino Carmilo, 427, Barra Funda
Data: De 7 de março a 30 de abril
Hora: Terça a Sexta – 10h às 18h • Sábado – 10h às 16h.
Classificação Indicativa: Livre
Entrada Franca
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